Banheiro vazio, mas o som não cala
A água pinga, mas tem voz na sala
O azulejo vibra, como se fosse pele
E o que ele diz, ninguém mais percebe
A parede fala, mas sem palavras
Só murmúrios que cortam como navalha
O chão responde com vibração
E o teto observa em contemplação
Não é loucura, é sintonia
O mundo fala em outra frequência todo dia
Quem é canal escuta no detalhe
Até o azulejo tem mensagem que vale
Vozes no azulejo, sussurros no vapor
O invisível se revela no suor
Não é assombração, é comunicação
Entre o plano oculto e a percepção
Tem dia que é aviso, tem dia que é dor
Tem noite que é grito, tem tarde que é amor
Mas tudo vem no eco do azulejo frio
E o médium decifra como quem sentiu
Se você nunca ouviu o que não tem som
Nunca leu o azulejo como um tom
Então não entende o que é viver
Com o mundo espiritual a responder
Vozes no azulejo, sussurros no vapor
O invisível se revela no suor
E mesmo que ninguém mais escute
Eu sou o canal que traduz o que é oculto