Fechei os olhos, mas não era sono
O corpo caiu, mas não era abandono
A luz apagou, mas o mundo acendeu
E o que me tocava não era meu
Sem guia, sem vela, sem canto
Só o silêncio e o peso do manto
O chão sumiu, o tempo dobrou
E o que me habitava não se mostrou
É transe sem luz, sem direção
Só o instinto guiando a mão
O corpo vibra, mas sem controle
E o espírito dança sem escolta ou escolhe
Transe sem luz, sem mapa, sem voz
Onde o medo e o dom andam sós
É mergulho cego, é rito sem chão
É alma em trânsito, sem proteção
A respiração virou tambor
O coração batia fora do motor
E cada sensação era invasão
Mas eu segui, mesmo sem visão
Não é loucura, é conexão
Não é delírio, é expansão
Quem nunca caiu no escuro do dom
Não sabe o que é ser médium sem tom
Transe sem luz, sem mapa, sem voz
Onde o medo e o dom andam sós
Mas mesmo no breu, eu sou canal
E o que me atravessa vira ritual