Antes de deitar, eu risco o chão
Sal em volta, como proteção
O corpo cansado, mas o espírito atento
Porque a noite vem com movimento
Não é superstição, é sobrevivência
Cada grão de sal é resistência
Já senti o peso da visita noturna
E aprendi que fé também é armadura
A cama virou campo de guerra
E o travesseiro, escudo da terra
Quem dorme com dom, dorme em alerta
Porque o invisível nunca fecha a porta certa
Cama de sal, sono blindado
Contra o toque frio e o olhar pesado
Se vierem de novo, vão encontrar
Um corpo cercado, pronto pra lutar
Tem noite que o sal vira muralha
Tem sonho que o sal não trabalha
Mas sigo firme, mesmo no breu
Porque quem é canal não dorme só por ser seu
Cada ritual é gesto de amor
Cada proteção é contra o terror
E mesmo que o mundo não entenda
Eu durmo cercado, mas com alma acesa
Cama de sal, sono blindado
Contra o toque frio e o olhar pesado
E se o mal tentar atravessar
Vai encontrar fé pronta pra cortar